segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Argh! Orkut

Me irrita a forma como as pessoas resolveram se relacionar. Pra mim não servem as amizades e cantadinhas do Orkut. Acho um lixo... Só gente que não viveu de verdade se satisfaz com relacionamentos superficiais. Mas agora parece que é meio regra... E não estou falando só de namorinhos e afins, mas de amizade mesmo.

Hoje, depois de três baladas, muitos são amigos de infância. Como assim? Sem viagens? Sem sustos? Sem ataques intermináveis de riso? Sem cumplicidade? Lembro quando eu e a Van, amigas desde os 13 anos de idade, aos vinte e poucos íamos para Maresias todos os finais de semana. Trabalhávamos muito. Lembro uma vez que chegamos na praia estressadas, cansadas de São Paulo. A Van parou o carro ao lado da areia e nem falamos. Entramos no mar direto, de roupa e tudo. Eram quase 8 horas da noite. Mas a gente precisava daquilo e não precisamos falar para saber. Ela soube tudo do André. Eu vi toda a história dela com o Beto. Entramos na faculdade. A mãe dela morreu. Crescemos, pintamos o cabelo, bebemos todas, rimos loucamente. Vivíamos uma na casa da outra. Não cabia Orkut na nossa amizade. Não daria tempo.

O Orkut tira a magia dos encontros casuais. Se houvesse excesso de informação, eu jamais teria vivido a surpresa de encontrar o Zé em Cumbica no dia que perdi o vôo. Passamos umas férias incríveis em Fortaleza. Muitas noites finalizadas com sol. Música. O vento de lá. Era janeiro. Depois voltei para São Paulo e já fazia um ano que havíamos nos encontrado pela última vez. Ele morava em Fortaleza e eu sabia que ele iria para Israel, passar um ano, mas não tinha certeza do dia. Eu iria para Fortaleza naquela manhã, com uma amiga. Acordamos atrasadas e quando chegamos ao aeroporto não conseguimos pegar o avião. Mudamos nossas passagens para um vôo mais tarde e fomos andar pelo aeroporto. Quando estávamos entrando no McDonalds eu encontrei o Zé. Acho que dei um dos maiores sorrisos da minha vida! Mágico, muito mágico... Minha amiga me disse que o mundo, naquele momento, parou por alguns segundos. As pessoas ao redor entenderam. Aquele era um momento único. Olhando nos olhos dele eu desejei boa viagem e soube que ele havia deixado com um amigo em Fortaleza um presente para me receber: carta, livro, cd... Nada de scrap, carta escrita à mão. Livro que foi dele. Tinha um desenho também, mas esse o vento carregou.

Encontrei o Zé no Orkut. Mas o que a gente viveu naquela época foi incrivelmente mais forte do que um reencontro que, se dependesse só do acaso, talvez não acontecesse. A Van não, é uma história diferente. Ela eu tinha mesmo que reencontrar. Totalmente obra do acaso.

Um comentário:

Paulo Kirschner disse...

Gabi,

Você me estimulou a criar um blog. Depois de ler esta sua postagem, você me convenceu a desistir de manter um blog. Eu sou daqueles que, se não conseguem fazer tão bem quanto, preferem não fazer. Eu jamais conseguiria me expressar com tanta sensibilidade e, ao mesmo tempo precisão, como você.